Ubajara quer dizer “senhor da canoa” para alguns e “canoa mãe d’água” para outros. A primeira versão vem com a lenda de que um velho cacique, dono de uma canoa, teria sido o primeiro habitante da gruta. Só pelo nome, já se percebe a importância da água para o local. A região do Parque pode ser considerada uma verdadeira ilha no meio do sertão cearense. Localizada na Serra de Ibiapaba, na divisa com o Piauí, é formada por uma chapada cercada por um vale verdejante.
A “cuesta” de Ibiapaba constitui uma das mais notáveis feições topográficas do Nordeste brasileiro, pela extensão e continuidade da escarpa, que acompanha de perto os limites do Estado do Ceará. Os seus primeiros habitantes conhecidos foram os índios Tabajaras. Jesuítas vindos de Pernambuco em 1607 ficaram na região até 1661 para catequizá-los, mas acabaram sendo expulsos. Consta que a gruta de Ubajara – origem e essência do parque – é conhecida desde o início do século 18, quando os portugueses realizaram expedições na região em busca de minérios, especialmente prata, mas sem sucesso.
No inicio do século 20, a gruta passou a ser utilizada por romeiros, habitantes da Vila de Araticum. Até hoje, pode-se ver na entrada um altar escavado na rocha com a imagem de Nossa Senhora de Lourdes. Durante anos, a caverna sofreu com visitantes que arrancavam estalactites e pichavam suas paredes. O parque foi criado especialmente para garantir a integridade e o processo de evolução das formações geológicas existentes na região. O decreto inicial estabelecia uma área oito vezes maior, refletindo a preocupação em proteger todo o complexo. Em 1973, o Parque teve sua área reduzida, comprometendo sua efetividade ecológica. Em 2002, passou por um novo processo de ampliação.
BICHOS E PLANTAS
Na baixada, a caatinga e sua vegetação espinhenta dominam a paisagem, onde destacam-se várias espécies de cactos, cedros, juremas, angicos e juazeiros. Nas encostas da serra, a mata conta com samambaias e bromélias. Já no alto da chapada, a vegetação é densa, com árvores de até 15 metros de altura. Entre estas há jitós, ipês, paus-d’óleo, araçás e a palmeira babaçu. A vegetação de transição entre essas duas formações abriga espécies como barrigudas e mulungus.
Entre os animais, destacam – se os mocós – pequenos roedores típicos da caantiga -, tatus, cobras – como a surucucu, a cascavel e a jibóia – e lagartos. Alguns são mais facilmente encontrados ao entardecer, quando as temperaturas já estão mais amenas, como o tamanduá – mirim e a cotia. Entre as aves, destacam-se o arapaçu – do –nordeste, o canção do sertão e o chorozinho-de-boné. Nas matas da chapada, duas espécies de macacos são vistas em grupos, passando de uma árvore a outra: o macaco –prego e o mico – estrela (sauim). Além deles, existem 11 espécies de morcegos, que se abrigam nas cavernas.
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